Secretários municipais criticam na CPI serviços prestados pela CPFL

“A CPFL realiza o pior serviço de Indaiatuba”, afirmou Cebolinha; “14 notificações sobre fios soltos sem resposta”, disse Doti
20/06/2023
Os secretários municipais Luiz Alberto Pereira Cebolinha (Governo e Indústria) e Robenilton Oliveira Lima Doti (Obras e Vias Públicas) criticaram duramente os serviços prestados pela concessionária CPFL Piratinga -- a companhia responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Indaiatuba e outras cidades do Estado.
Cebolinha é vereador licenciado e, em 2014, presidiu uma comissão parlamentar de inquérito sobre a mesma concessionária.
As manifestações de reprovação dos secretários foram feitas na manhã desta segunda-feira (19) à CPI recentemente instaurada na Câmara para investigar as oscilações e apagões de energia no município.
Em seu depoimento, o secretário de Governo afirmou que a “CPFL realiza o pior serviço prestado por uma concessionária em Indaiatuba (...) com consequências ruins ao município, às indústrias e ao comércio”. O secretário de Obras, por sua vez, ao falar sobre fios soltos nos postes de luz, disse que meses atrás enviou notificações à CPFL e às operadoras de telefonia e fibra ótica e, até hoje, não recebeu resposta de nenhuma delas. Foram 14 notificações enviadas, frisou Doti. “Tratar com a CPFL não é fácil: a companhia não diferencia o CPF de pessoa física, de pessoa jurídica ou Poder Público. E se tratam a Prefeitura assim, eu imagino como deve ser com o cidadão comum”.

PERGUNTAS
Indagado pelo relator da CPI, vereador Othniel Harfuch, sobre quais são as reclamações das indústrias com relação ao fornecimento de energia, Cebolinha afirmou que não recebera autorização das empresas para falar o nome delas na comissão, mas que poderia contar alguns casos narrados por elas. “O diretor de uma multinacional me disse que o maior investimento que estavam fazendo tinha como objetivo suprir eventuais problemas no fornecimento de energia elétrica, porque se houver queda brusca de energia a empresa pode perder a produção de todo o dia”, relatou o secretário, que prosseguiu: “Outro empresário me contou que ficou 60 dias sem ter condições de operar à espera da CPFL instalar um cabo de luz”.
O secretário também observou que no ano passado funcionários da CPFL foram fazer a manutenção da rede elétrica de uma rua comercial da cidade, e para tanto teriam de naquele dia desligar o fornecimento de energia das 7h às 18h. “Ocorre que era o grande dia do comércio no mês, e os comerciantes chateados me procuraram para que eu buscasse uma solução, e depois de conversar com a direção da concessionária conseguimos que a energia fosse religada ao meio-dia”. A despeito do atendimento à solicitação, Cebolinha comentou que “a impressão que se tem é que parece que eles estão somente prestando um favor, e isso nos traz muitos prejuízos”.
Na opinião do secretário de Obras, a concessionária não mantém relação institucional com o município. “As solicitações da Prefeitura são feitas online – e você tem de aguardar até eles darem uma resposta”. E cita o caso da rotatória do Jardim Esplanada 1, em que dois postes da CPFL teriam de ser retirados. “Fizemos a obra rapidamente para não atrapalhar o tráfego, mas de nada adiantou porque os postes ficaram no meio da rua por mais dois meses”.
Ao buscar uma explicação para a demora na prestação de serviços pela concessionária, Doti disse que “a dinâmica deles é diferente. A impressão que eu tenho é que tudo fica centralizado em uma única pessoa. Eles demoram até para fazer orçamento, já que nada é de graça. A Prefeitura paga por todos os serviços. Aí eles nos avisam que têm até 120 dias para entregar o serviço solicitado”.
“Não é possível cobrar pela redução desses 120 dias?”, perguntou a vereadora Ana Maria dos Santos. “Recentemente, notei que o atendimento melhorou um pouco, mas não vou dizer que foi uma coincidência com a instauração da CPI”, respondeu rindo. E deu um exemplo de celeridade nos serviços da concessionária: a CPFL, em prazo bem razoável, iniciou a substituição dos postes da rua Rafael Ahum, que liga o SAAE à represa do Mirim. “Na verdade, acho que o problema é que falta jogo de cintura político na CPFL”, comentou.
O vereador Alexandre Peres perguntou se a CPFL ressarce a Prefeitura pelos prejuízos. “Pelo que eu saiba, não”, respondeu o secretário de obras.
Perguntado pelo vereador Leandro Pinto sobre de quem é a responsabilidade pela substituição dos postes deteriorados, o secretário de Obras disse que a troca cabe à CPFL, “mas tem todo aquele prazo de 120 dias”.
De imediato, o vereador Wilson Índio da Doze enfatizou: “Pelo que entendi de tudo que foi falado aqui, eles estão na nossa cidade, mas fazem o que bem entendem”.
PRÓXIMA
O presidente da CPI, Arthur Spíndola, anunciou que a próxima reunião da comissão será realizada no dia 26, segunda-feira, às 10h. No dia serão ouvidos os secretários municipais Orlando Vianna, da Fazenda, e Guilherme Magnusson, de Serviços Urbanos e Meio Ambiente.
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